' Blog do Walter Lima: Morre aos 93 anos sobrevivente da seca de 32 em Senador Pompeu.

LEIA TAMBÉM:

17 de fev de 2013

Morre aos 93 anos sobrevivente da seca de 32 em Senador Pompeu.

Atualizado às 02:27 e 20:44/ 17/02/2013
Somente entre 1877 e 1913, portanto ainda sem os números da seca de 1915, o governo federal, por intermédio do IOCS estimava que 2 milhões de pessoas haviam morrido em conseqüência da miséria nas estiagens.
Foto reprodução
Luíza Pereira Lô, conhecida como Lô sobreviveu a seca de 1932 na cidade de Senador Pompeu no interior do Ceará, há 275 Km de Fortaleza, mais precisamente no Campo de Concentração onde eram chamados os “currais” do governo naquela época, próximo a barragem do patu. Nesta Sexta Feira [8]  infelizmente a última vitima do massagre de 32, dona Lô...  
Sofreu uma queda chegando quebrar o fêmur. Foi levada para o hospital do coração em messejana e chegando lá já tinha complicações nos pulmões por conta da demora no trajeto da cidade até a unidade, cerca de 275 Km... Lá não resistiu vindo a falecer. Dona Lô morava no Bairro Patu na cidade de Senador Pompeu na Região Central do Ceará, deixou amigos, Rauíres seu sobrinho e uma linda história para a cultura brasileira.
Crédito fotográfico de Flávio Alves/filme Cerca seca
Conta o site observatório político brasileiro, alguns dos horríveis sofrimentos daquela época também no Campo de Concentração no Nordeste Pernambucano aos Excluídos, Flagelados do Ceará. E lá estava também o depoimento de dona Lô dizendo: “O governo prometia assistência, mas os flagelados dormiam ao relento” rodeados pelos urubus . O cemitério está preservado como antigamente e, no Dia de Finados, recebe todos os anos uma procissão em memória daqueles que ali padeceram.

“O sofrimento era muito grande”, recorda-se Luíza Lo, 92 anos quando deu este depoimento, uma das poucas sobreviventes desse drama que marcou a cidade. Na época, cerca de 3 mil sertanejos chegaram de várias partes do Nordeste e ocuparam uma vila operária erguida pelos ingleses, que construíram o açude municipal. “Durante semanas, caminhamos 16 léguas (105 km) no sol quente até chegar aqui”, conta Luíza.    

O governo prometia assistência, mas os flagelados dormiam no chão ao relento. Vestiam sacos de estopa e tinham os cabelos raspados. De alimento, recebiam a pior parte. “Muitas vezes, era um ensopado só de osso, além de um mingau que parecia uma goma”, lembra a sobrevivente.

Alimentos e doações chegavam das grandes cidades pela linha férrea. “Os chefes e os guardas ficavam com a melhor parte”, diz Luíza. Ela conta que era difícil dormir à noite com o choro sofrido das famílias: “Era um barulho pior do mundo”. Muitas pessoas morriam de fome e cólera e eram enterradas em valas comuns.

Os levantamentos parciais, no entanto, são assustadores. Somente entre 1877 e 1913, portanto ainda sem os números da seca de 1915, o governo federal, por intermédio do IOCS estimava que 2 milhões de pessoas haviam morrido em conseqüência da miséria nas estiagens.

Pouco mais de 100 anos depois, a equipe do livro Genocídio do Nordeste (organizado pela Comissão Pastoral da Terra e o Ibase, entre outras organizações) repetiu o desafio de contar as vítimas da seca e chegou ao número de 3,5 milhões de mortos somente no período entre os anos de 1979 e 1984.

Dona Luíza Pereira Lô foi sepultada às 17:00 deste Sábado dia 16 de Fevereiro de 2013, no Cemitério do Alto do Bode em Senador Pompeu.

Atualização a qualquer momento.

Poderá ver mais sobre a seca de 1932 e sobre Dona Lô nos documentários clicando AQUI. Também nos sites Instituto Casarão e Observatório Político Brasileiro.

Documentários e reportagens encaminharemos você a pagina deFridtjof Alves clicando. Fram Paulo, o advogado e dramaturgo Dr Valdecy Alves têm alguns trabalhos sobre a época da fome.

Assista em  https://www.youtube.com/user/walterlima100/videos

Qualquer informação para complementar matéria, sugerir  poderá enviar
um e-mail para nossa redação clicando em contato
Comente a notícia e dê sua opinião abaixo usando as redes sociais ou o formulário de nosso blog. Sua opinião contribui muito.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Blog do Walter Lima © Copyright 2011. Tecnologia do Blogger.